Hypérion
Le monde est plein de fous, et qui n'en veut point voir doit s'enfermer tout seul et casser son miroir
Sottises de la semaine, Séguier Frères, 1790
Textes / Dazibao
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O digital “toma conta”


1. O digital “toma conta” da vida real.

2. O sujeito não é o “homem digital”, mas o homem digitalizado.

3. Nossa vida está digitalizada, portanto ela não é mais “uma vida”.

4. “Digitalizar” é colocar números no lugar das emoções, das ideias, das ações.
5. Passamos a viver principalmente no espaço dos números e do que pode ser representado em forma de números: trata-se de uma domesticação sobre a qual estamos longe de perceber a amplitude.

6. O digital afasta cada vez mais da vida real, e negamos esse desvio porque que ele é evidente e coloca coisas demais em questão.

7. “Digitalizar” é sempre: focar, estagnar, esterilizar, desvitalizar e, finalmente: matar.

8. O homem digitalizado não sabe mais orientar sua vida, nem dirigi-la, nem dar um sentido a ela: ele está digitalizado, portanto, ele não pensa, logo, não existe.

9. Ser um homo numericus digitalizado é aceitar não ser mais nada: a cópia de alguma coisa ou de alguém de quem perdemos o rastro.

10. “Toma conta” quer dizer, é claro, que “o real” torna-se um anexo, mas também que “a realidade” não interessa mais a ninguém, e, finalmente: que “o digital” torna-se auto-suficiente.

Trad.: Giselle Dupin

REUTERS/Andrew Burton
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